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PARÓQUIA SÃO JOSÉ 100 ANOS DE HISTORIAS

08/03/2022

HISTÓRIA DA PARÓQUIA SÃO JOSÉ
ANTES DE SER PARÓQUIA:
A zona pertencia ao município e paróquia de Cruz Alta. Em 1901 se estabeleceram diversas famílias de origem germânica, provenientes de Agudo, todas protestantes. Em seguida vieram para a Serra do Cadeado, muitas outras famílias de origem alemã e italiana de diversos municípios. Houve séria mistura de protestantes e católicos, o que chamou a atenção da autoridade eclesiástica.
A cura das almas estava a cargo dos Padres de Cruz Alta, que de tempos em tempos e com penosas viagens a cavalo visitavam seus fiéis. Naquela época Augusto Pestana era conhecida como Cadeado, em alusão aos primeiros imigrantes que quando aqui chegaram encontraram um portão com um cadeado que tiveram que quebrar para tomar posse das terras.
Conforme tradição oral, conta-se que a primeira missa foi celebrada na serra do Cadeado, em 25 de dezembro de 1904, mas não se sabe o nome do Padre que a celebrou.
No ano de 1906, veio pela primeira vez o Capelão Pe. Frederico Blass de Cruz Alta e celebrou a santa missa na casa do agricultor Miguel Schneider. A partir desse ano o Pe. Carlos Kolb visitou várias vezes a comunidade em crescimento.
O Pe. Albert Scheuermann de Cruz Alta incentivou a comunidade a adquirir uma área de terra na localidade hoje denominada de Sede Velha, onde foi construída a primeira capela Católica, e passaram a serem celebradas as missas, até a construção da nova Igreja na praça da vila. A capela de Sede Velha mais tarde serviu como escola, sendo seu primeiro professor o sr. Felipe Mallmann e depois dele o sr. Wilhelm Behm.
Grandes méritos pela vida religiosa teve o Pe. Anton Niberle. Depois, o Pe. Leonhart Naab vinha mensalmente e atendia a comunidade.
O Pe. Naab se empenhou muito para que a comunidade tivesse seu próprio pároco. Junto com o Pe. Kolb ele se dirigiu várias vezes ao bispado de Santa Maria, mas por falta de padres o bispo não pode atender ao pedido. O sucessor do Pe.Kolb foi o padre José Spoenlein, que junto com os padres Germano Schroer e Max Klar atendiam a comunidade.
José Lange, querendo organizar a zona urbana de Dr. Pestana, comprou três colônias e um quarto de terras do sr. Carlos Kruger, mandou medir e parcelar os lotes. Doou os terrenos para a construção da Igreja, à mitra diocesana , com uma superfície de 6500m2, 100m de frente e 65m de fundo. Com a concordância da comunidade foi planejada a construção da Igreja, toda de madeira e com três naves e uma torre. Lange tomou a frente, pediu aos moradores a madeira necessária, transportou as toras e serrou-as em sua serraria, entregando toda a madeira no local da construção, no ano de 1916. Com o auxílio de todos, sete semanas mais tarde foi possível celebrar a festa de Natal na Igreja.
Após a conclusão da Igreja, os moradores, buscaram elevar a Igreja a condição de paróquia e com isso ter um padre para atender os moradores. Lange se dirigiu ao bispo de Santa Maria e a primeira pergunta do bispo foi se havia uma casa de moradia para o pároco. Como a resposta foi não, o bispo retrucou: “então, quereis primeiro pegar a pomba e depois fazer a gaiola? É necessário primeiro fazer a gaiola e depois pegar a pomba”.
Voltou decidido, convocou uma reunião, resolveu por conta própria construir uma casa de alvenaria, que seria comprada mais tarde pela comunidade se a proposta da paróquia se concretizasse e assim foi feito. Esta casa foi construída em 1921.

AGORA PARÓQUIA
A Paróquia de São José do Cadeado, foi criada por decreto de S.Excia. Revma. Dom Miguel de Lima Valverde, primeiro bispo de Santa Maria, na data de 9 de março de 1922. Foi desmembrada das paróquias do Divino Espírito Santo, de Cruz Alta e da Natividade de Nossa Senhora, de Ijuí, abrangendo o território compreendido entre os rios Ijuizinho e Conceição e dos limites civis entre os municípios de Ijuí, Cruz Alta e Santo Ângelo.
Naquela época Augusto Pestana, era conhecida como Cadeado, em alusão aos primeiros imigrantes que quando aqui chegaram encontraram um portão com um cadeado que tiveram que quebrar para tomar posse das terras.
Por provisão de 10 de março de 1922, S.Excia. nomeou o Revmo. Padre Francisco Burmann, vigário da nova paróquia. Sobre o terreno da Igreja matriz havia, na data da fundação da Paróquia, além da Igreja de tábuas, erguida em 1916, a casa canônica de alvenaria construída em 1921 e uma casa escolar de tábuas. Na época a população era de 360 famílias católicas e 150 famílias evangélicas.
A escola, na praça, ao lado da Igreja tinha como professora a sr Verônica Kipper, que juntamente com sua filha Lidia se dedicavam a lecionar para 70 alunos.
O Pe. Naab e o Pe. Burmann se empenharam em construir uma igreja condizente para a comunidade. Muitos colaboraram para que esta obra se concretizasse.
Em 1926 foi substituída a Igreja de madeira pela atual e imponente matriz, com uma majestosa torre, construída pelo próprio povo, sob a competente direção do Pe. Burmann e do Sr. Alberto Van Der Sand. A casa canônica foi também demolida e no mesmo local, construída uma de dois pavimentos, mais condizente com suas finalidades. Foi diretor da construção o Sr. André Tabile.
Em junho de 1928, Pe Burmann foi nomeado para exercer o cargo de Consultor da Província Palotina do Sagrado Coração de Jesus, com sede em Bruchsal, na Alemanha, sendo nomeado seu substituto o Padre Germano Schröer.
Em maio de 1930, voltando da Alemanha reassumiu suas funções como vigário da Paróquia.
Em 1932, o Pe. Burmann iniciou uma campanha para construção do Colégio Católico Santo Alberto, devido a necessidade de um estabelecimento de ensino para a mocidade masculina. Comprou o terreno e a moradia do Sr. Benjamin Schwerz, sendo a casa o primeiro espaço utilizado como colégio, fundado em 15 de abril, sendo que abriu suas portas com 9 internos e 8 externos, sendo o primeiro professor o Sr. Arturo Hilgert. O nome do colégio é em homenagem a Santo Alberto Magno.
O novo edifício teve início em 27 de novembro de 1932 e em 01 de março de 1933, já começou a funcionar parcialmente com 20 alunos internos e 8 externos. Em 01 de março de 1936, com a inauguração de uma nova ala, começou a funcionar uma escola apostólica, para formar futuros missionários palotinos, que durou até março de 1938, quando foi fechada a escola apostólica e o colégio voltou a sua finalidade inicial.
Foi também em 1936, quando o colégio de Vale Vêneto já era pequeno para abrigar o número sempre crescente de seminaristas e noviços, os cursos elementares foram transferidos para o Colégio Santo Alberto de Cadeado.
No dia 02 de fevereiro de 1938, ocorreu a fundação da congregação da doutrina cristã na Paróquia São José do Cadeado, em uma assembléia com a presença de professores e professoras, onde o vigário Francisco Burmann leu e explicou os estatutos da Congregação e mostrou que tudo o mal que está no mundo tem a sua raiz na ignorância religiosa. Todos os presentes foram de acordo em fundar a congregação para combater a ignorância religiosa.
Pe. Burmann permaneceu como vigário da paróquia até 1942, quando assumiu a direção espiritual da Paróquia, o clero secular na pessoa do Revmo Pe. Carlos Arnaldo Schulze, substituído pelo Pe. José Borgert em agosto de 1943.
Em 1945 a paróquia foi restituída aos Padres Palotinos, e reassumida pela terceira vez pelo Pe. Burmann, já idoso, mas cujo coração bondoso tinha ainda bastante enegia para sacrificar-se pelo povo de Cadeado. Sentindo consumirem-se as energias pediu um auxiliar, sendo designado o Pe. Euclides Guarienti.
A partir de 06 de junho de 1945, o colégio Santo Alberto, servia de pré-seminário e colégio de Irmãs. O local funcionou como noviciado dos Padres e Irmãos Palotinos da Província de Nossa Senhora Conquistadora de Santa Maria-RS. O noviciado é o período em que os seminaristas se aprofundam na espiritualidade e no carisma do fundador, no caso São Vicente Pallotti. Também estudam a história do fundador, suas obras, a Lei Fundamental da Sociedade do Apostolado Católico. Houve também estudos voltados a área de filosofia durante esse tempo de noviciado, não propriamente a faculdade de Filosofia. Os estudantes provinham dos mais variados pontos do Rio Grande do Sul, de Santa Catarina, Paraná e das vizinhas repúblicas da Argentina, Chile e Uruguai. O noviciado funcionou até início da década de 70.
Em dezembro de 1945 depois de 18 anos e 9 meses empregando suas melhores energias para o desenvolvimento espiritual do povo de Cadeado, o Pe. Burmann faleceu. No livro tombo da paróquia o Pe. Agostinho Michelotti descreveu a morte: “Repentinamente, aos 10 de dezembro de 1945 faleceu o sectuagenário Pe. Francisco Burmann, em consequência de uma angina pectoris, pelas 9:15 da manhã, após haver celebrado missa na Matriz. O povo do Cadeado, em peso compareceu a cerimônia de sepultamento, reconhecendo nele, o seu primeiro vigário e apóstolo incansável que deu a vida pelo seu rebanho. A cerimônia foi presidida pelo vigário Forâneo e Pároco de Ijui Padre Francisco Pio Busanello, como representante do Exmo Snr bispo Diocesano D.Antonio Reis. No cemitério o Pe. Angel Bisognin, coadjutor de Cruz Alta, fez a oração fúnebre, ressaltando, no extinto, as qualidades de bom Pastor que dá a vida pelas suas ovelhas. O Dr. Orlando Dias Athayde tomou a palavra para dizer das grandes obras realizadas pelo finado sacerdote, dentro da paróquia e para a paróquia.”
O Pe. Burmann distinguiu-se entre todos os sacerdotes que assumiram os destinos espirituais da paróquia, pelo tempo e pela bondade e dedicação com que a governou sendo que até hoje o povo guarda sua recordação na memória.
Para externar sua gratidão para com este grande apóstolo, o povo de Dr. Pestana construiu na praça em frente a Matriz, um monumento preparado pelo escultor Snr. Ricardo Bazzan, com o dizer: HOMENAGEM DO POVO DE VILA DR. PESTANA A SEU GRANDE AMIGO E BENFEITOR P. FRANCISCO BURMANN S.A.C..
Além dos párocos já citados também exerceram suas funções na Paróquia e deixaram seus nomes gravados na história, pela sua dedicação à causa religiosa:
Os padres palotinos: Pe Agostinho Michelotti – 1946
Pe. José Stefanelo – 1946 – 1947
Pe. Vendelino Bender – 1947 – 1949
Pe. José Antonio Michels – 1949 – 1955
Pe. Aquiles Rossato – 1955 – 1959
Pe. José Cancian – 1959 – 1967
Pe. Belino Costa Beber – 1967 – 1972
Pe. Vicente Pillon – 1972 – 1974
Pe. Valentim Zamberlan – 1974 – 1983
Pe. Hugo Antes – 1983 – 1990 – Vigário cooperador Pe. Remígio Milanesi.
Pe. Victélio Trevisan – nomeado 27.02.1987 e 26.02.1988
O 1º Padre diocesano foi: Pe. Eraldo Paulus – 1991 – 1992
Precedido de: Pe. João Alberto Bagolin – 1992 – 1996
Depois: Pe. Hilário Dewes – 1996 – 1998 – Sagrada Família
A partir de 1999, voltam os padres diocesanos:
Pe. Wunibaldo Rieckziegel – 1999 – 2005
Pe. Silveste Ottonelli – 2006 – 2014
Pe. João Sênio Wickert – 2014 – 2016
Pe. Silvio Jorge Mazzarol.. 2017 – 2020
Pe. Luis kolling – 2021 até
O Pe. Dorvalino Rubin, atuou no Colégio Santo Alberto e teve um trabalho destacado na comunidade, ele foi o secretário da comissão pró-emancipação de Augusto Pestana.
Em 1949, ao lado do colégio Santo Alberto, foi construído, um pequeno santuário da Mãe e Rainha Três Vezes Admirável de Schoenstatt, que era muito visitada pelos fiéis que a veneravam, onde procuravam bênçãos de paz, alegria e felicidade. Era neste minúsculo Santuário, que aconteciam no dia 18 de cada mês romarias, sendo o maior tesouro da paróquia, pois era um refúgio para todos os habitantes do distrito, no qual encontravam a paz e bem estar espiritual.
Este santuário foi demolido em 1974 e o altar ficou no fundo da Igreja até a construção da capela Mãe e Rainha Três Vezes Admirável de Schoenstatt no bairro esperança. O terreno para a construção da capela foi doado, em 1987, pelo Sr. Arlindo Finckler e logo em seguida iniciada a construção com a ajuda de voluntários e doação de muito material. Foi inaugurada em 18 de outubro de 1989, já com o altar na capela, onde os fiéis rezam o terço, todas as segundas feiras e no dia 18 de cada mês é celebrada a santa missa.
No dia 18 de outubro de 2014, para marcar os 100 anos da aliança de amor da Mãe e Rainha e os 25 anos da Capela foi realizada uma procissão saindo da Casa Recanto da Produção e após foi celebrada uma missa festiva para marcar a data.
No ano de 1973, o Pe. José Joaquim Pillo, Reitor Provincial da época autorizou a venda do terreno e do prédio do Colégio Santo Alberto, por um valor simbólico, sem a preocupação de obter grandes ganhos com a venda.
Os Padres doaram um terreno para a CRT para construção da antena da CRT…….
Venderam a terra para Adir Coró e Albino Ghisleni
Depois o colégio para Hugo Riethmuller e Dr.Orlando Dias Athayde

O lançamento da pedra fundamental para construção do Centro Comunitário – Salão Paroquial – aconteceu em 01/12/1968, e foi dirigida pelo Pe. Belino Costa Beber, onde funcionou o Ginásio Duque de Caxias, Escola técnica de Comércio, agência do Banrisul, Biblioteca municipal entre outros. O prédio foi ampliado posteriormente sendo anexado um pavilhão para salão de festas.
Atualmente está sendo o térreo ocupado por lojas e o restante do prédio é usado para as pastorais e eventos da comunidade. Também está em construção uma ampliação com mais quatro lojas no térreo e o pavilhão de festas.

No dia 16 de março de 1997, na festa do padroeiro celebrou-se na matriz São José a abertura do ano jubilar com o objetivo de resgatar a história. Durante todo este ano buscou-se descobrir dados, pessoas, fatos que marcaram a história deste período de 1922 à 1998. Realizaram-se as MISSÕES POPULARES DIOCESANAS, de 18 a 26 de outubro de 1997.
No dia 22 de março de 1998, foi celebrada a grande festa dos 75 anos da Paróquia, com a presença de muitas pessoas que já não residiam mais na comunidade.
Também dentro das comemorações alusivas aos 75 anos da Paróquia, após a missa foi coroada a Miss Boneca 1998. Para o concurso fora convidadas 14 belas meninas que representaram as 14 comunidades ou capelas da paróquia. As candidatas foram:
Elizangela Cristina Fuhr da Silva – Bairro Esperança
Aline Raquel Borgmann – Ponte do Ijuizinho
Tatiane Sinara Matte – Arroio Bonito
Taciana Fernanda Freitag – Boca da Picada
Simone Regina Kerber – Marmeleiro
Rosangela Jordana Kunzler – Ijuizinho
Ana Luiza Schneider – Linha São João
Solange Fuhr – Fundo do Cambará
Adriele Marlene Manjabosco – São Miguel
Maiara Sost – Fundo Grande
Jessica Tissott – Formigueiro
Jéssica François – Paraíso
Fraciela Anesi – Rosário
Maísa Zardim – Augusto Pestana.

FOTE: Ederson Kunzler Nosso muito obrigado por nos conceder este trabalho